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1 Set 2026 · Equipamento

Kit de primeiros socorros no trabalho: o que deve mesmo ter

Quase todas as empresas têm uma caixa de primeiros socorros. Poucas a revêem depois de a comprar. O resultado habitual, quando abrimos uma numa formação, é uma caixa cheia de pensos rápidos, com compressas fora de validade e sem nada que sirva para uma hemorragia a sério.

Não existe em Portugal uma lista legal única do conteúdo obrigatório. O que existe é a obrigação, no artigo 15.º, n.º 9 da Lei 102/2009, de o empregador estabelecer as medidas de primeiros socorros — e o material faz parte dessas medidas. A escolha é da empresa, e deve seguir o risco.

A base, transversal a qualquer atividade

  • Compressas esterilizadas de vários tamanhos, em quantidade — não duas ou três.
  • Ligaduras de gaze e ligadura elástica, para fazer penso compressivo.
  • Adesivo em rolo e pensos rápidos de vários formatos.
  • Luvas descartáveis, várias medidas, e mais do que um par.
  • Tesoura de socorrista, capaz de cortar tecido de vestuário de trabalho.
  • Soro fisiológico em monodose, para lavagem de feridas e de olhos.
  • Manta isotérmica.
  • Máscara de bolso ou película de proteção para insuflações.

O que acrescentar consoante o risco

É aqui que a caixa genérica falha. Em construção e indústria pesada, faz sentido acrescentar penso hemostático e um torniquete — mas apenas se houver alguém treinado para os usar, porque um torniquete mal aplicado faz mais mal do que bem.

Onde há produtos químicos ou trabalhos que projetam partículas, um sistema de lavagem ocular acessível em segundos é mais determinante do que qualquer outro item. Onde há trabalhos a quente, compressas próprias para queimaduras.

Em espaços com crianças ou público, o material tem de contemplar tamanhos pediátricos, incluindo a máscara de insuflação.

O que muitas caixas têm a mais

Antisséticos coloridos, que mascaram o aspeto da ferida e dificultam a avaliação médica posterior. Algodão hidrófilo, que deixa fibras na ferida. Medicamentos — analgésicos, pomadas — que ninguém está autorizado a administrar a um colega e que criam responsabilidade onde não era precisa.

A parte que não é material

Uma caixa completa numa empresa onde ninguém sabe onde ela está continua a ser inútil. Três coisas fazem mais diferença do que duplicar o conteúdo:

  • Sinalização visível e um local fixo, conhecido por todos e nunca trancado.
  • Um responsável designado por verificar validades e repor o que foi usado, com periodicidade definida.
  • Um registo simples do que se gasta — é o que revela onde estão realmente a acontecer os acidentes.

Nas formações que damos nas instalações do cliente, revemos a caixa que a empresa já tem. É quase sempre o momento em que se percebe o que falta — e o que lá está a ocupar espaço sem servir para nada.

Revisão técnica
Pedro Pereira
Formador · Emergência e Incêndios
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